GUERRA FRIA
13/10/2012 - 16h43 |Marina Mattar | Redação | www.operamundi.com.br
Brasil ajudou a negociar crise dos mísseis em 1962, mostram documentos secretos dos EUA
Governo de Jango enviou militar para negociar com Fidel Castro à pedido de John F. Kennedy
Reprodução/ National Security Archive

Documento secreto do Departamento de Estado dos EUA mostra estratégia de pedir ajuda ao governo brasileiro na negociação com Cuba
Organizações norte-americanas divulgaram documentos, até então secretos, relacionados à atuação da Casa Branca e de outros governos, incluindo o brasileiro, durante a Crise dos Mísseis em 1962 em plena Guerra Fria.
A crise política entre Estados Unidos, União Soviética e Cuba teve início no dia 14 de outubro quando uma aeronave espiã norte-americana descobriu a presença de mísseis atômicos soviéticos na ilha, a quase 300 quilômetros de Miami. A Casa Branca queria evitar a todo custo esta situação e por alguns dias, as superpotências ficaram na iminência da guerra nuclear.
WikiCommons
Entre
as 3 mil páginas publicadas pelo Arquivo de Segurança Nacional nesta
sexta-feira (13/10), constam informações sobre a participação do Brasil
em um esforço diplomático secreto para intermediar a solução do impasse.
O governo de João Goulart, próximo e solidário a Cuba, enviou uma
mensagem do então presidente dos EUA, John F. Kennedy, para Fidel
Castro.
Segundo o documento do dia 25 de outubro, os EUA davam duas opções ao revolucionário cubano: “a queda de seu governo e no pior dos casos, a destruição física de Cuba” ou “garantias de que não vamos tentar derrubar o seu regime”.

Documento secreto do Departamento de Estado dos EUA mostra estratégia de pedir ajuda ao governo brasileiro na negociação com Cuba
Organizações norte-americanas divulgaram documentos, até então secretos, relacionados à atuação da Casa Branca e de outros governos, incluindo o brasileiro, durante a Crise dos Mísseis em 1962 em plena Guerra Fria.
A crise política entre Estados Unidos, União Soviética e Cuba teve início no dia 14 de outubro quando uma aeronave espiã norte-americana descobriu a presença de mísseis atômicos soviéticos na ilha, a quase 300 quilômetros de Miami. A Casa Branca queria evitar a todo custo esta situação e por alguns dias, as superpotências ficaram na iminência da guerra nuclear.
WikiCommons

Segundo o documento do dia 25 de outubro, os EUA davam duas opções ao revolucionário cubano: “a queda de seu governo e no pior dos casos, a destruição física de Cuba” ou “garantias de que não vamos tentar derrubar o seu regime”.
(Fotografias tiradas de aeronave norte-americana mostram os projéteis nucleares soviéticos em Cuba).
Para essa segunda opção, Kennedy exigia que Castro expulsasse tanto os mísseis quanto os soviéticos de seu país. De acordo com o texto, “muitas mudanças nas relações entre Cuba e a OEA (Organização dos Estados Americanos), incluindo os Estados Unidos, iriam acontecer”.
O Departamento de Estado dos EUA ainda instruía os brasileiros para levar o recado de forma secreta, sem mencionar que vinha diretamente das autoridades norte-americanas. A opção de recorrer ao Brasil aparece como uma das tentativas de negociação antes da possível (e iminente) guerra nuclear.
Os documentos revelados reiteram a versão dos arquivos brasileiros sobre a participação do governo de Jango na Crise dos Mísseis, que foram divulgados pelo governo em 2004 e se encontram em acervo em Brasília. Os textos foram utilizados na pesquisa do historiador James Hershberg, da Universidade George Washington.
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