quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Um novo marco regulatório para as ONGs 





24 de dezembro de 2012
Por Vera Masagão Ribeiro*

Há um ano, a Secretaria-Geral da Presidência da República constituiu um Grupo de Trabalho, com participação de vários ministérios e representantes da sociedade, para elaborar um novo marco regulatório para as organizações da sociedade civil, as chamadas ONGs (Organizações Não Governamentais). Esse foi um compromisso de campanha assumido por Dilma Rousseff perante centenas de entidades e redes que subscreveram uma plataforma cujo horizonte era estabelecer novas bases para o engajamento cidadão no Brasil.

O apoio governamental às organizações da sociedade civil que atuam visando o interesse público é uma prática comum em países onde a democracia está consolidada. Estudo da Johns Hopkins University revela que o subsídio governamental às ONGs no Brasil é pequeno em comparação a esses países. Temos aqui uma legislação insuficiente e confusa, que dificulta o acesso das organizações cidadãs aos recursos estatais, ao mesmo tempo que permite o uso indevido dessas entidades, por parte de governantes, para favorecer grupos políticos ou simplesmente para enriquecimento pessoal.

A mais recente onda de escândalos envolvendo transações desse tipo levou à queda de ministros e ao enrijecimento dos controles sobre as organizações que acessam recursos federais. Ainda assim, o Grupo de Trabalho coordenado pela Secretaria-Geral da Presidência, ao qual a Plataforma das Organizações da Sociedade Civil se integrou, conseguiu mobilizar a contribuição de um conjunto relevante de gestores públicos, juristas e líderes sociais que elaboraram propostas para melhorar a relação das entidades sem fins lucrativos com os órgãos do Estado. A mais importante delas é um Projeto de Lei que estabelece um novo instrumento de contratualização, o Termo de Fomento e Colaboração, estabelecendo obrigações relativas ao chamamento público e à prestação de contas, tanto para os administradores públicos como para as organizações.

Do ponto de vista político, o principal avanço do Projeto de Lei é reconhecer que as organizações da sociedade civil não podem ser reduzidas a braços executores de políticas governamentais; devem ser fomentadas como expressão autônoma da sociedade, espaços de experimentação de novas tecnologias sociais, canais de participação e controle social. Um instrumento adequado para regular o repasse de recursos governamentais às organizações é um primeiro passo necessário, que precisaria ser complementado com o reforço e constituição de novos fundos públicos voltados ao fomento da participação social. O ministro Gilberto Carvalho anunciou em março a constituição de um fundo dessa natureza, mas até agora nada foi concretizado.

Não obstante isso, e ainda que o acesso a recursos públicos seja absolutamente legítimo, a sociedade civil organizada não pode depender integralmente de repasses governamentais. Deve ser também capaz de mobilizar junto à própria sociedade os recursos necessários para promover suas causas. Para tal, precisaria contar, como em outros países democráticos, com instrumentos para captação de recursos, como incentivos fiscais e um regime tributário favorável. Infelizmente, no Brasil, o mesmo imposto que se cobra da pessoa que deixa uma herança para os descendentes é cobrado daquela que deseja fazer uma doação a uma entidade sem fins lucrativos ou mesmo a uma universidade pública.

Para cumprir a agenda da Plataforma das Organizações da Sociedade Civil, com a qual Dilma Rousseff se comprometeu como candidata, temos ainda muito a fazer. Vivemos um longo compasso de espera, já que o Grupo de Trabalho coordenado pela Secretaria-Geral da Presidência teve suas atividades encerradas em julho e até agora não se conseguiu sequer que seus produtos fossem apresentadas à Presidenta. No que se refere a um marco regulatório para as organizações da sociedade civil, corremos o risco de dar continuidade aos oito anos de promessas adiadas da gestão Lula da Silva.

Não podemos esperar mais. Temos a palavra dada, escrita e assinada da Presidenta. Temos também a urgência histórica, pois à medida que avança o crescimento econômico do país, aumentam as responsabilidades que pesam sobre seus cidadãos e governantes. Precisamos de uma sociedade civil brasileira forte e engajada que, além de consumir mais, se comprometa com a busca de alternativas econômicas, sociais e ambientais sustentáveis, tanto quanto com os valores da justiça e da solidariedade.

(*) Vera Masagão Ribeiro é Diretora Executiva da Associação Brasileira de ONGs – ABONG e membro da Plataforma por um Novo Marco Regulatório para as Organizações da Sociedade Civil.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012



Fundo de Democracia das Nações Unidas (UNDEF)

O Fundo de Democracia das Nações Unidas (UNDEF) convida organizações da sociedade civil a solicitar financiamento para projetos de promoção e apoio à democracia. As propostas podem ser enviadas online entre 15 de novembro de 2012 e 31 de dezembro de 2012 em www.un.org/democracyfund

Você pode encontrar linhas de orientação, perguntas e respostas e as lições aprendidas de concursos anteriores em www.un.org/democracyfund/Applicants/applicants_index.html
Todos aqueles que querem enviar candidaturas são fortemente encorajados a visitar esta página o mais rápido possível para se familiarizarem com os requisitos.

Apenas candidaturas online em inglês ou francês serão aceitas.

O UNDEF apoia projetos que fortaleçam a voz da sociedade civil, promovam os direitos humanos e incentivem a participação de todos os grupos nos processos democráticos. A grande maioria do financiamento do UNDEF vão para organizações da sociedade civil local – quer sociedades em fases de transição quer em fases de consolidação da democracia. Desta forma, o UNDEF desempenha um novo papel que complementa o trabalho mais tradicional da ONU – o trabalho com os governos – para fortalecer a governança democrática em todo o mundo.

Esta é a sétima edição do UNDEF, que oferece subsídios de até 400 mil dólares por projeto.
Até esta edição, o UNDEF já apoiou mais de 400 projetos em mais de 100 países, a um valor total de quase 140 milhões de dólares. As candidaturas estão sujeitas a um processo de seleção altamente rigoroso e com menos de 2% de todas as candidaturas aprovadas para financiamento. Os projetos têm a duração de dois anos e numa ou mais das seis áreas principais:
  • Desenvolvimento comunitário;
  • Estado de Direito e os direitos humanos;
  • Ferramentas para a democratização;
  • Mulheres;
  • Juventude;
  • Mídia.
Para saber mais sobre o UNDEF, acesse www.un.org/democracyfund

Empresário do 'mensalão' nos Correios e no caso Valec aparece nos R$ 16 milhões do Alvaro Dias

Agora a casa do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) caiu, e com um empurrãozinho da própria revista Veja (sem querer).

O senador é réu em um processo judicial de disputa patrimonial, movido por uma filha, reconhecida através de exames de DNA. O processo poderia ser apenas mais um entre tantos, sem maior interesse público, não fosse o valor de R$ 16 milhões em causa, pois o senador tucano declarou à Justiça Eleitoral (e ao eleitor) ter um patrimônio de R$ 1,9 milhão, na última eleição que disputou. O aparecimento desta súbita fortuna causou perplexidade à nação brasileira, que pergunta: como o senador, da noite para o dia, aparece como um dos parlamentares mais ricos do Brasil?

Detalhe: o processo não está em segredo de justiça, ao contrário do que disse o senador em seu twitter, e não é uma mera disputa familiar. É uma disputa patrimonial graúda envolvendo mais 10 réus ao lado de Alvaro Dias, e quatro deles são pessoas jurídicas.

Uma das empresas ré na causa é a "AGP Administração, Participação e Investimentos Ltda.", de Alexandre George Pantazis, indicando que Alvaro Dias teve algum tipo de negócio com esta empresa envolvendo os R$ 16 milhões em questão.

Alexandre Pantazis é dono da empresa Dismaf - Distribuidora de Manufaturados Ltda. junto com seu irmão Basile, que era tesoureiro do PTB-DF.

A Dismaf foi objeto de uma reportagem da revista Veja (pág. 64, edição 2212 de 13/04/2011), acusando  a empresa de pagar propinas ao PTB sobre contratos nos Correios, no caso que deu origem ao "mensalão" a partir da gravação feita por um araponga de Carlinhos Cachoeira, que levou Roberto Jefferson a dar a entrevista em 2005. A reportagem foi baseado na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal. Declarada inidônea pelos Correios, a empresa não podia participar de licitações, mas ganhou uma na Valec (que constrói a ferrovia norte-sul) para fornecer trilhos. O fato foi alvo de auditoria na CGU e foi um dos motivos para demissão do ex-presidente da Valec, o Juquinha.

Só uma investigação sobre os contratos e quebra de sigilo bancário poderá esclarecer o real envolvimento do senador tucano com o dono da Dismaf, .

Agora o que vai acontecer? O Alvaro Dias e seus negócios com um dono da Dismaf será capa da próxima revista Veja?

Seleção para Assistente Administrativo para trabalhar no Instituto Brasil Europa (sede na UFPA)

Com o intuito de desenvolver uma política de relações internacionais, promovendo a internacionalização do ensino superior, da pesquisa e da extensão, a UFPA criou a Pró-Reitoria de Relações Internacionais – PROINTER, cuja atuação prioriza a mobilidade acadêmica (docente e discente), com o objetivo de qualificar profissionais para competirem no mercado de trabalho cada vez mais globalizado.

A UFPA, em 2010, participou da criação do Instituto Brasil Europa (IBE) juntamente com outras universidades brasileiras e europeias. Esse Instituto visa o fortalecimento da educação superior no Brasil por meio da promoção do conhecimento mútuo. O Instituto é parcialmente financiado pela Comissão Europeia. Entre as principais atividades, destacam-se a criação e manutenção de Portal Web; o estabelecimento de diálogo entre os parceiros por meio de eventos que promovam a discussão de temas de interesse comum; o incentivo a projetos de pesquisa colaborativos entre instituições brasileiras e europeias; a criação do programa de pós-graduação multi-institucional e multidisciplinar; a promoção de atividades de extensão à comunidade, entre outras propostas.

A Universidade Federal do Pará, através do IBE, acaba de abrir seleção para 1 (uma) vaga de assistente administrativo para trabalhar na sede do Instituto na UFPA. A jornada de trabalho é de 30h semanais e o horário é de 8h às 14h. O valor do salário totaliza R$ 1.600, com carteira assinada. Os pré-requisitos à vaga são:

- Ser maior de 18 anos.
- Ter ensino superior completo em cursos das áreas de Ciências Humanas ou Ciências Sociais Aplicadas.
- Ter Inglês avançado. Será considerado um diferencial o domínio de outras línguas estrangeiras.

Principais atividades: elaboração de relatórios e atas; marcação de reuniões; respostas, envios e encaminhamentos de e-mails; atendimento ao telefone e contatos diversos.

As inscrições vão até o dia 24 de maio. Basta enviar currículo para o e-mail ibeufpa@gmail.com. Após a seleção de currículos, será marcada uma entrevista com cada candidato, com data e horário divulgados oportunamente.
VIII Semana Científico-cultural "A Casa dos Luamins"


      O Programa Luamim: peças interventivas na realidade (Faculdade de Serviço Social - UFPA) surgiu com o objetivo de sensibilizar e conscientizar a sociedade sobre a realidade das crianças que vivem nas ruas, por meio de reflexão e debate potencializados pelos instrumentos da arte e da comunicação. É um Programa multidisciplinar que envolve as áreas da Comunicação, Arte-Educação e Serviço Social, resultante da integração de agentes sociais de variadas categorias profissionais (artistas, estudantes, professores e lideranças comunitárias), tendo como metodologia a inter-relação da extensão, do ensino e da pesquisa.
      As Semanas Científico-Culturais "A Casa dos Luamins" tem como objetivo levantar discussões acerca de temáticas que estejam presentes na atualidade relacionadas ao Serviço social na área da Educação e Cultura invocando a noção de paidéia, termo grego que significa a inseparável relação entre educação e cultura.
      A realização do 2º Encontro de Artistas, Produtores Culturais e Lideranças Comunitárias dos Bairros Guamá e Terra Firme resulta de esforços conjuntos no sentido de qualificar lideranças para formação de fóruns permanentes que possibilitem aos seus moradores o reconhecimento público da importãncia do movimento cultural dos bairros como espaços de resistência e resiliência.
Sua inscrição dará direito ao certificado de 40 h (participação), 4h (oficina), Bolsa do evento, Camiseta, caneta e bloco de nota.

PARA INSCRIÇÃO COMO GRUPO DE 15 ALUNOS ENVIAR A RELAÇÃO DOS INSCRITOS  E SEU E-MAIL PARA: dbranches@hotmail.com
Informações:
e-mail: luamimicsa@ufpa.br
           
www.facebook.com/luamim.ufpa
Blog: lumimufpa.blogspot.com.br

Mais um salafrário é desmascarado: Receita Federal flagra Senador Álvaro Dias - PSDB no Imposto de Renda

Às voltas com o súbito aparecimento de uma fortuna de R$ 16 milhões, em processo de pensão, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) foi autuado pela Receita Federal por infração no Imposto de Renda.


Aliás o senador acumula 8 processos na Receita Federal. O sigilo fiscal impede de conhecermos os detalhes dos processos, mas o senador poderia explicar à Nação, perplexa com sua súbita fortuna, o que ele aprontou.

Agora, além de sonegar informações ao eleitor na declaração de bens apresentada à justiça eleitoral, o senador tem que acertar suas irregularidades com o Imposto de Renda.

Isso complica mais a situação do novo milionário do senado.

domingo, 16 de dezembro de 2012

O STF vai julgar o “mensalão tucano”?

Por Altamiro Borges
Ficheiro:A Privataria Tucana.jpg O show do julgamento do “mensalão petista” ruma para o seu final. Segundo levantamento da Folha de 30 de novembro, “os ministros do Supremo Tribunal Federal levaram 49 sessões, quase quatro meses e cerca de 250 horas para julgar os 37 réus e fixar as penas dos 25 condenados... O clamor por condenações duras terminou satisfeito”. Quase concluído o espetáculo midiático, fica a pergunta: quando terá início o “clamor” da imprensa pelo julgamento do “mensalão tucano”, que ela insiste em chamar do “mensalão mineiro”?
Em artigo publicado no sítio Carta Maior, Antonio Lassance opina que já está em curso uma manobra para evitar que importantes caciques do PSDB sejam levados ao banco de réus. A recente onda denuncista, envolvendo Rosemary Noronha, ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo, e as acusações requentadas do publicitário Marcos Valério, visaria reduzir as pressões pelo julgamento do “mensalão tucano”. Para ele, inclusive, o PT estaria contribuindo, involuntariamente, para desviar o foco.
A manobra da direita udenista 
“O PT não entendeu qual é o jogo das acusações contra Lula. O jogo que está em disputa é sobre quem será a bola da vez num futuro mensalão-2: o PSDB ou, mais uma vez, o PT. A rigor, dada a conclusão da Ação Penal 470, deveria ser a vez do julgamento do mensalão dito ‘mineiro’... Os ataques seletivos contra Lula têm várias intenções, mas uma é especial: virar a mesa do que está na fila e inventar algo supostamente mais relevante a ser julgado, deixando o escândalo que envolveu os tucanos para depois, bem depois”.
Penso que procede a suspeita do amigo Lassance, mesmo discordando da sua opinião de que a criação da CPI da Privataria Tucana ou o “convite” para FHC esclarecer a “Lista de Furnas” desviam o foco principal. A direita midiática e partidária está atirando em várias frentes com o objetivo de desconstruir a imagem do ex-presidente Lula para, logo na sequência, debilitar o apoio do governo Dilma Rousseff. As forças de esquerda também podem e devem agir em várias frentes para desmoralizar os agressivos udenistas.
Azeredo, Aécio e FHC
Neste sentido, é preciso exigir do STF o imediato julgamento do “mensalão tucano”. Seria um grave erro deixar este assunto explosivo de lado. O esquema montado pelo publicitário Marcos Valério para irrigar o caixa-2 eleitoral, o “valerioduto”, nasceu em Minas Gerais em 1998 – bem antes do “mensalão do PT”. Ele serviu para bancar a derrotada campanha à reeleição do governador Eduardo Azeredo (PSDB). O próprio até confessou que a grana arrecadada e não contabilizada também financiou a campanha de FHC. 
Segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República, o “mensalão tucano” foi abastecido com o dinheiro de três estatais – Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) e Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig). Elas receberam do governador Eduardo Azeredo a missão de patrocinar três eventos esportivos e todas as competições foram patrocinadas pela SMP&B, a agência de publicidade Marcos Valério, com empréstimos do famoso Banco Rural.
Joaquim Barbosa na berlinda
Como afirma Maurício Dias, na revista CartaCapital de 29 de outubro, “BH é a capital do caixa dois”. Caso o STT decida julgar o “mensalão tucano”, penas voarão para todos os cantos. “O mensalão tucano, e não mineiro, como às vezes se diz e se escreve, ora por descuido e, principalmente, por má-fé, montado a partir de Belo Horizonte para a reeleição do então governador mineiro Eduardo Azeredo, está intimamente ligado ao processo eleitoral nacional e, por consequência, à reeleição de Fernando Henrique Cardoso”.
Neste sentido, Antonio Lassance tem toda a razão. O julgamento “mensalão tucano” pode ser explosivo. Ela atinge toda a cúpula do PSDB – em especial, o senador Aécio Neves, o cambaleante presidenciável tucano. É por isto que “a oposição e sua mídia fazem um jogo estratégico para preservar o seu candidato às eleições”, desviando o foco com sua recente onda denuncista contra Lula. Joaquim Barbosa, a nova estrela do STF, garantiu recentemente que o caso será julgado em breve. É preciso pressioná-lo ou desmascará-lo!